30 novembro 2007

Provação



Ele é a Luz na longa noite escura,
A fiel sabedoria em tempos parvos
A repetir solene o brado: - Doai-vos!,
Pois nada mais importa ou vos cura.

Espalha as densas brumas em fervura
No terreno mítico em que os bravos
Reconheçam os espinhos e os cravos,
E renasçam da alma cinza à alvura.

Dorme ainda o Homem na mortalha
E é divino o sono que nos talha
A Fé no sangue vivo dessas chagas.

Em Teu sacrossanto coração entrego
A minha vida e morte, e não renego
A dura provação com que me afagas.

8 comentários:

tita coelho disse...

Tu tens uma maneira toda especial de escrever...gosto disso!! Belos versos os teus hoje!!
beijos querido!!

Ricardo Soares disse...

alexandre... com todo respeito ao seu gosto pessoal eu deixei no meu blog um comentário em resposta ao seu sobre reinaldo azevedo e tv brasil... abraço e bom domingo...

Carolina disse...

lindas palavras...
bjos...

Lunna Montez'zinny disse...

Certa vez (isso já faz tempo)eu escrevi um soneto. Não sou dada a esse estilo na minha escrita, mas admiro quem o faz com primazia. Como este em que eu pude sentir até mesmo a dor na pele devido ao desassossego dessa alma.
Resta apenas dizer: amém.
Abraços.

Ps. Gostaria de ter sua participação no Coletânea Artesanal. A sétima edição sairá no dia 15 de dezembro e iremos "profanas" as lembranças que nos rondam...

Marrie disse...

Grande demonstração de "fé"!
O q se tem visto a cada dia menos nas atitudes das pesoas.
bjs

Yuri Assis disse...

vou ser sincero:
vc está me fazendo ter outra visão do soneto.
sei lá, eu tenho 16 anos e toda a paixão dos iconoclastas que nos trouxeram a visão modernista, apesar de me encontrar mais em cecília, drummond e todos os que se dedicaram a um intimismo renovado.
gosto de quem me faz rever meus conceitos.

Jesus e sua mensagem continuam girando ao nosso redor. E nossos três olhos continuam cegos. Vou protestar contra Deus e pedir um quarto olho...

abraço!

Ricardo Rayol disse...

Muito intenso teu soneto. Gostei muito do ultimo terceto.

Velvet Poison disse...

As pessoas escrevem palavras e não têm a noção do quanto elas atingem, de como e quem atingem. Eu só tenho uma palavra que cabe, agora: obrigada.