06 novembro 2007

O Pássaro Cativo (Olavo Bilac)


Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Por que é que, tendo tudo, há-de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?

É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorgeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:

"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi . . .
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas . . .
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade . . .
Quero voar! voar! . . ."

Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão, tremendo, lhe abriria
A porta da prisão . . .

6 comentários:

tita coelho disse...

liberdade...tão contida e tão temida..
quando dada pouca diferença faz...agora quando conquistada...
alegrias trás!!
Adoro Olavo Bilac
bijos :)

Carolina disse...

Que lindo isso Alexandre. Olavo Bilac é O cara!!! Rsss....
Bjos...

rosana disse...

Olá meu querido Coré!

Que alegria senti ao ver seu recado nos Mundos!
Já estou em terras Brasilis faz um mês e em fase de adaptação... duro ver que uma sociedade pensa que o incorreto é o correto...
Muitas saudades suas também! Vens com frequência ao Rio? Queria lhe encontrar para bater aquele papo! ;-) Tens meu e-mail, não? ro_cris@hotmail.com
e os meus tels são: 2595-3149 ou 8321-1519.

Beijão e Luz,
Rosana dos Santos

Marrie disse...

LIBERDADE....... o nosso bem mais precioso de certeza!
Tenho andado meio sem oportunidade de visitar todos q gostaria, inclusive vc. Mas logo q a vida volte ao normal reapareço c/mais frequência, ok?
bjs e bom fim de semana

Anônimo disse...

adoros os poemas de olavo bilac este poema entao fala da prisao dos passaros se voces escutassem esse poema nao mais maltrataria o spassaros e nenhum tipo de animais

Anônimo disse...

Poxa, acho que aproximadamente uns 40 anos depois volto a ler esse belo poema, que agora sei que é do Bilac. Tenho 51 anos. Ainda menino,muito pobre, perdido em um pobre cidade do interior do Pará, repetia a terceira-seria primária, parece-me que pela segunda vez. Uma de minhas reprovações atribuo, um pouco à minha alfabetização medíocre, e outra, a maior delas, a má professora, autoritária ao extremo que tive. Mas, no segundo ano de reprovação, tive um professora. Que professora inesquecível!! Não se não me enganam os meus neurônios, ela se chamava Iracy Pinheiro. A primeira e única professora que tive nesse período escolar que lia poesias para nós e nos fazia encenar algumas. Sentava junta de sua carteira e ela era doce e atenciosa e cuidadosa com os meus estudos e de meus outros colegas. Com ela, meu "instinto" de mau aluno, de uns dez anos, acho, era sublimado, acalmado, auto-regulado, de forma que apropriei-me dos conhecimentos por ela compartilhado em sala de aula. Passei em primeiro lugar e uma amiga minha, chamada Aldenora, uma das mais bonitas colegas de tive, passou em segundo lugar. A professora Iracy me deu de presente um livro de português para a 4a. série, lembro-me vagamente. Nesse livro, encontrei esse poema, que li por muitas vezes e até hoje quardo na memória alguns fragmentos que recinto já totalmente adulterado. Um fragmento que sempre uso para alguém, em forma de brincadeira, é: "Com que direito à escravidão me obrigas?". Sonhei, por todos esses anos, encontrar esse poema. Não me lembrava mais de seu autor e nem do título. Como disse, só dos fragmentos. E sempre me vinha a vontade de procurar na internet esse poema. Mas, será que um poema que li, há uns 40 anos atrás, estaria na internet, produto do século XX? E na quinta-feira passada, 20/12/2008, digitei no google os fragmentos que ainda retenho na memória. E que surpresa!!! O poema veio todo em sua beleza. Foi meu grande presente de natal em 2008. Adoro quem colocou o "O pássaro cativo", nesse cyberspace. Estou Feliz.
Raimundo Nonato de Oliveira Falabelo. Sociólogo. Doutor em Educação. Professora Universitário. Belém,Pa