Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medoe sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
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18 agosto 2007
31 janeiro 2007
CDA
Mas há uma hora em que os bares se fecham / e todas as virtudes se negam.
Foto: Aquarelle sanguine bar 41x27 (Hervé Thibaut)
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Carlos Drummond de Andrade
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