11 outubro 2008

O Movimento das Estrelas


A luz entra fosca e à força
Entre as ondas que me acordam
A contragosto sobre as conchas
Quando cismo e durmo em plena praia
Vendo o brilho sobre os bancos de areia
Das espumas candeias do mar revolto.
Aguardam por entre elas tantas lendas -
Piratas, cem fragatas e sereias -
Que nadam no recôndito daquela enseada,
Enfileiradas em meus sonhos que se vão
Embalados pelo vento-canto lá da aldeia.
Aqui sopra um vento sonoro nas palmeiras
Quando a lua entra por entre as folhas negras.
O farfalhar rasteiro da palha seca,
A duna a se mover pela madrugada inteira
Como o arrasta-pé no baile,
Como o chocalhar da cascavel ligeira.
E quando a noite é assim, meu bem, eu caço estrelas
Por um céu de poema de Bilac.
Caço as grandes, as brilhantes, as pequenas,
E risco com o dedo em riste a Via Láctea.
Nas manhãs seguintes,
A brisa quente varre a varanda da casa
Repleta de ócio depois do almoço,
E já não sei se é ela ou o leque de minha avó
Que move a velha cadeira de balanço.
Como nunca soube se era o vento lá na praia,
Aquele vento nas ondas, nas folhas, na duna,
Que também movia as estrelas no céu.

5 comentários:

Ivo Korytowski disse...

Obrigado pelo comentário efusivo deixado no meu Literatura & Rio de Janeiro!

Gerana Damulakis disse...

Adorei a evocação do céu de Bilac. Causou impacto durante a leitura, efeito surpresa, e trouxe um sorriso para a face do leitor. Bem realizado, como sempre.

Marcia Barbieri disse...

É sempre bom enxergar estrelas...
embora a vida insista em nos mostrar sempre o céu nublado. Lembrei de Venturini: "noites com sol são mais belas...."

beijos

Andrea disse...

preciso falar contigo. tenho tentando, há tempos, em vão.
bj.

Tati Campêlo disse...

estou divulgando meu novo blog
www.gastronomiaefotografia.blogspot.com
Se possivel de uma passadinha lá!

Atenciosamente
Tati