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24 junho 2007

Um Ser de Luz (João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)

Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar
Sua voz então
Ao se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava
Espantava a dor
Com a força do seu cantar

Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
A gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de Vê-la, sabiá

Sabiá
Que falta faz tua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia
Canta, meu sabiá, voa, meu sabiá

Adeus, meu sabiá, até um dia

20 fevereiro 2007

Serrinha (Mauro Duarte e Paulo Cesar Pinheiro)

Serrinha
É o império do samba chegando
É o povo te homenageando
Te escolhendo como a preferida
Serrinha
Que no meio de tanta riqueza
É uma dama da alta nobreza
No cotejo real da avenida
Mas que sedução!
Que triunfal!
Teu pavilhãoImperial
Tens tradição
És imortal
Sobre as cores verde-e-branco
Repousa a coroa do Império sobre o carnaval

Mesmo quando perde o povo grita é o vencedor
Porque o povo tem o coração de imperador

Império Serrano é a minhaEscola que dá prazer
É o prazer da Serrinha
E nos orgulhamos de dizer
Imperial
Imperial
Eu sou também
É voz geral
Por isso vem
Vem pessoal
E vamos jurar a bandeira imperial

Pra lá pra cá

É madrugada
De uma noite enluarada
Meu amor não me aparece
Até aí não tem nada

Amanheceu
E o meu amor não me apareceu
Mas sei exatamente onde ele está
Foi lá pro Salgueiro, foi sambar
Depois que viu baixar
Vermelho e branco no terreiro
O nego só me fala no Salgueiro
É Salgueiro pra lá, é Salgueiro pra cá
É Salgueiro pra lá, é Salgueiro pra cá

Pranto de Poeta

Em Mangueira
Quando morre
Um poeta
Todos choram

Vivo tranqüilo em Mangueira porque
Sei que alguém há de chorar quando eu morrer

Mas o pranto em Mangueira
É tão diferente
É um pranto sem lenço
Que alegra agente

Hei de ter um alguém pra chorar por mim
Através de um pandeiro ou de um tamborim

Folhas Secas (Nelson Cavaquilho / Guilherme de Brito)

Quando eu piso em folhas secas
Caidas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha Estação Primeira

Não sei quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o Sol me queimando
E assim vou me acabando

Quando o tempo avisar
Que eu não posso mais cantar
Sei que vou sentir saudade
Ao lado do meu violão
Da minha mocidade

Quando eu piso em folhas secas
Caidas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha Estação Primeira

Não sei quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o Sol me queimando
E assim vou me acabando.

Coisas do mundo minha nega (Paulinho da viola)

Hoje eu vim minha nega
Como venho quando posso
Na boca as mesmas palavras
No peito o mesmo remorso
Nas mãos a mesma viola onde gravei o teu nome (bis)
Venho do samba há tempo, nega
Venho parando por ai
Primeiro achei zé fuleiro que me falou de doença
Que a sorte nunca lhe chega
Que está sem amor e sem dinheiro
Perguntou se não dispunha de algum que pudesse dar
Puxei então da viola
Cantei um samba para ele
Foi um samba sincopado
Que zombou de seu azar

Hoje eu vim, minha nega
Andar contigo no espaço
Tentar fazer em teus braços um samba puro de amor
Sem melodia ou palavra para não perder o valor (bis)

Depois encontrei seu bento, nega
Que bebeu a noite inteira
Estirou-se na calçada
Sem ter vontade qualquer
Esqueceu do compromisso que assumiu com a mulher
Não chegar de madrugada
E não beber mais cachaça
Ela fez até promessa
Pagou e se arrependeu
Cantei um samba para ele que sorriu e adormeceu

Hoje eu vim, minha nega
Querendo aquele sorriso
Que tu entregas para o céu
Quando eu te aperto em meus braços
Guarda bem minha viola, meu amor e meu cansaço (bis)

Por fim achei um corpo, nega
Iluminado ao redor
Disseram que foi bobagem
Um queria ser melhor
Não foi amor nem dinheiro a causa da discussão
Foi apenas um pandeiro
Que depois ficou no chão
Não tirei minha viola
Parei, olhei, fui-me embora
Ninguem compreenderia um samba naquela hora

Hoje eu vim, minha nega
Sem saber nada da vida
Querendo aprender contigo a forma de se viver
As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender (bis)

19 fevereiro 2007

Fita Amarela (Noel Rosa)

Quando eu morrer,
Não quero choro nem vela,
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela.
Se existe alma
Se há outra encarnação
Eu queria que a mulata
Sapateasse no meu caixão
Não quero flores
Nem coroa com espinho
Só quero choro de flauta
Violão e cavaquinho
Estou contente,
Consolado por saber
Que as morenas tão formosas
A terra um dia vai comer.
Não tenho herdeiros
Não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos
Mas não paguei a ninguém
Meus inimigos
Que hoje falam mal de mim,
Vão dizer que nunca viram
Uma pessoa tão boa assim.

11 janeiro 2007

Cordas de Aço (Cartola)


Ah! Estas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ah ! Este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão
Compreende porque perdi toda alegria
E no entanto meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher
Até hoje está nos esperando
Solte o teu som da madeira
Eu você e a companheira
À madrugada iremos pra casa cantando